Coletamos 5.964 medições em redes móveis e analisamos como o canal se comporta ao longo das horas do dia. Acontece que o número pelo qual todo mundo escolhe um proxy cresce exatamente quando a conexão fica pior.

Por que os megabits não dizem nada sobre a qualidade do canal, já explicamos no artigo «Mbps não dizem nada sobre a qualidade de um proxy móvel». Aqui a mesma ideia, mas com dados: como latência, jitter e perdas se comportam ao longo do dia.

Um cenário familiar

Você pega um proxy mais rápido, mas o antidetect continua deslogando sessões, o parser vive dando timeout e os downloads caem no meio. Abre o speedtest — quarenta megabits, tudo certo. O vendedor diz: o canal está normal, veja você mesmo.

O canal está realmente normal — de acordo com a métrica que você mediu. O problema é que você mediu a coisa errada.

O que realmente atrapalha o trabalho

A largura de banda resolve exatamente uma tarefa: a velocidade com que um arquivo grande é baixado. Todo o resto — abrir páginas, manter sessões, resolver CAPTCHAs, requisições longas do parser — depende de outros fatores.

MétricaDo que ela cuida
Latência (ping)Capacidade de resposta da interface, disparo de timeouts
JitterVariação da latência. Rompe conexões longas e websockets
Perda de pacotesRequisições interrompidas, downloads corrompidos, repetições
RotaHops extras, cair em sistema autônomo errado

A rede móvel não se diferencia da cabeada por ser mais lenta. Ela é instável: a célula fica sobrecarregada à noite, a operadora alterna faixas de frequência, o shaping entra em ação em horários programados. Uma medição isolada no navegador descreve um segundo do seu dia — e normalmente o segundo em que você resolveu testar.

Como isso aparece nos dados

Reunimos medições feitas nas redes da MTS ao longo de dez meses e calculamos a média por hora do dia. Três métricas em três escalas distintas — de propósito, separadas: juntar tudo num mesmo gráfico seria forçar a barra.

Coletamos 5.964 medições em redes móveis e analisamos como o canal se comporta ao longo das horas do dia. Acontece que o número pelo qual todo mundo escolhe um ...

De cima para baixo: velocidade de download (Mbps), jitter (ms), perda de pacotes (%). 5.964 medições nas redes MTS, setembro de 2025 — agosto de 2026. Cada ponto é a média de uma hora, entre 72 e 388 medições por hora. Em laranja, o intervalo noturno entre 18h e 23h; ×3,4 e ×6,8 indicam quantas vezes a métrica cresce à noite. Os pontos marcam os mínimos e máximos diários.

O principal deste gráfico

A velocidade quase não muda. Das sete da manhã à meia-noite, ela fica na faixa de 54–68 Mbps. Quem roda um speedtest a qualquer hora do dia vai ver mais ou menos o mesmo número e concluir que o canal está ótimo.

O jitter, no mesmo período, cresce 3,4 vezes — de 25 ms às oito da manhã para 86 ms às onze da noite. A perda de pacotes cresce 6,8 vezes: de 0,79% durante o dia para 5,37% de madrugada.

E a coincidência mais chata: às 20h a velocidade atinge o máximo do dia — 68 Mbps —, mas o jitter na mesma hora é de 64 ms, duas vezes e meia maior que o da manhã. O speedtest neste momento mostra o melhor resultado do dia. Trabalhar neste momento é o pior que existe.

É exatamente por isso que reclamações do tipo «de noite trava tudo, mas o teste mostra velocidade normal» não são invenção nem efeito placebo. O teste mede a métrica que não piora à noite.

Como medir do jeito certo

Não é uma medição isolada, mas uma série delas. Instale a CLI, agende as execuções e acumule num arquivo:

speedmeter --json | jq -c '{t:.timestamp, d:.download, p:.ping, j:.jitter}' >> proxy.jsonl

No cron, a cada quinze minutos:

*/15 * * * * /usr/local/bin/speedmeter --json >> /var/log/proxy-speed.jsonl

Em um dia, você tem 96 pontos e já consegue enxergar se o seu canal tem um vale noturno. O binário é autônomo, tem cerca de 400 KB e não tem dependências — instala em qualquer servidor onde roda a sua automação.

Quais valores são aceitáveis

TarefaJitterPerdas
Parsing, scrapingaté 30 msaté 1%
Multicontas, antidetectaté 50 msaté 2%
Automação de SMMaté 60 msaté 2%
Vídeo, chamadasaté 30 msaté 1%

Repare no que não tem nesta tabela: coluna de megabits. Para essas tarefas, a largura de banda deixa de ser um gargalo depois de uns dez megabits.

Dados por hora

Os mesmos números do gráfico — para você conferir ou comparar com suas próprias medições.

HoraVelocidade, MbpsPing, msJitter, msPerdas, %Medições
00:006613452.14.12140
01:006113556.84.99125
02:004216757.95.37113
03:003413560.82.6786
04:004313242.81.9472
05:004513140.82.5092
06:004211534.32.49131
07:005411139.82.48140
08:005711325.02.44210
09:005410844.21.57302
10:00648437.70.79309
11:00668934.61.06363
12:006010138.91.00388
13:006010029.11.80348
14:00619535.21.45340
15:006110040.11.83322
16:00669747.51.33356
17:00639547.11.06330
18:005910060.60.97348
19:00619848.91.02328
20:006811264.11.74368
21:005910457.62.53322
22:006211261.52.56266
23:005414986.13.86165

Observação sobre os dados

Isso é uma média de muitos usuários e muitas células, não de um único chip sob controle. Esse recorte mostra o formato da curva diária, mas não substitui a medição do seu canal específico — você precisa fazer a sua, usando o script acima.

A ferramenta usada para coletar esses números é aberta e gratuita: speedmeter.dev. Ela mede jitter e perdas no lado do servidor, em vez de confiar no relatório do navegador, e devolve o resultado em JSON para scripts.